Vassouras

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Para uma boa leitura



Imagem: Luciana Onofre [acervo bibliográfico pessoal]



História da Bruxaria de Jeffrey Russel e Brooks Alexander.

Uma das obras referenciais para o estudo histórico da feitiçaria, este livro, ilustrado com mais de 100 fotografias e reproduções artísticas representativas, resgata a história de ascensão, perseguição e renascença da bruxaria nas sociedades mundiais. Também desvenda o lento processo de formação e transformação de um estereótipo que a mentalidade coletiva, a rigor, preserva até hoje, bem como o papel singular em várias culturas de diferentes épocas.


"Prefácio
Na Galícia espanhola costuma-se dizer uma frase popular: yo no creo en meigas, pero hayas: “eu não creio em bruxas, mas elas existem!” Quer se acredite ou não nos poderes da bruxaria, tem que se acreditar na existência de bruxas. Conheço muitas pessoalmente. Este livro é uma edição revista de A history of witchcraft, publicado pela Thames & Hudson em 1980. Inclui um novo prefácio, uma nova introdução, dois capítulos completamente novos (escritos por meu colaborador, Brooks Alexander) que atualizam a história da bruxaria moderna; uma conclusão revisada [o Capítulo 11] e uma bibliografia completamente atualizada. Em muitos sentidos, é um novo livro.
Gostaria de agradecer a todos os que trabalharam comigo no livro original, especialmente minha falecida esposa, Diana M. Russell. Ofereço com alegria um agradecimento especial a nosso editor, Jamie Camplin, cujo contínuo interesse no livro originou a nova edição. Agradeço, também, a minha esposa, Pamela C. Russell, que trabalhou comigo na área da bruxaria histórica durante muitos anos e, naturalmente, a Brooks Alexander, cujo conhecimento da bruxaria moderna tornou possível este novo livro.
Jeffrey B. Russell"
  

O que é uma bruxa?
"Se você perguntar a seus conhecidos o que é uma bruxa, provavelmente eles lhe dirãoque bruxas não existem. Bruxas, afirmarão eles, são personagens imaginários, representadoscomo velhas horrorosas, com verrugas no nariz, chapéus compridos e pretos em formato de cone, montadas em cabos de vassoura, que criam gatos pretos e dão gargalhadas malignas, bastante parecidas com cacarejos. A Rainha Má de A Branca de Neve de Walt Disney, o desempenho de Margaret Hamilton como a Bruxa Malvada em O Mágico de Oz e, por trás delas, uma longa tradição artística que se estende do século XIII a Goya, fixaram essa imagem em nossas mentes. Provavelmente, nenhuma bruxa, em tempo algum, jamais tenha tido as características desse estereótipo.
Todavia, bruxas existem realmente. De fato, a bruxaria é considerada como uma religião de pleno direito por numerosas instituições, inclusive as forças armadas e o sistema legal dos Estados Unidos. Dentre as bruxas que conhecemos, nenhuma correspondeu jamais a esse estereótipo, exceto talvez em festas à fantasia.
Outros podem dizer que “bruxa” é uma pessoa que tem poderes psíquicos. É verdade que muitas bruxas afirmam ter poderes psíquicos, mas isso não prova se de fato elas os possuem ou não, nem se a simples posse de tais poderes transformaria uma pessoa em bruxa.
Existem muitos outros elementos para se caracterizar uma bruxa. Algumas pessoas podem imaginar vagamente que bruxas praticam alguma coisa parecida com vodu. Isso é sinal de que tais pessoas interpretam mal tanto a bruxaria como o vodu. O vodu é uma religião que combina o cristianismo com o paganismo africano, e seus rituais são praticados como um meio de proteção contra a bruxaria.
Há respostas mais acuradas e úteis para a pergunta que se coloca no título desta introdução:
(1) bruxa é o mesmo que feiticeira: esta é a abordagem antropológica; (2) a bruxa adora o Diabo: esta é a abordagem histórica para a bruxaria européia; (3) a bruxa reverencia deuses e deusas e pratica a magia para boas causas: este é o enfoque adotado pela maior parte dos bruxos modernos. Cada um desses pontos de vista pode ser justificado.
Alguém que pretenda mergulhar mais fundo nessa questão encontrará muito pouca ajuda na maioria dos inúmeros livros populares oferecidos nas seções de ocultismo das livrarias.
Recentemente, são muitos os trabalhos que se dedicam ao tarô, astrologia, satanismo, abertura de canais (psicografia), mediunidade, cristais, tábua Ouija, quiromancia, extraterrestres, drogas psicodélicas – e também à bruxaria. Bruxaria e ocultismo não são a mesma coisa, e muitos bruxos se esforçam ao máximo para dissociar sua imagem e suas práticas de qualquer forma de ocultismo. Por outro lado, hoje, já há muitos livros que discutem seriamente o assunto, e seus títulos estão na bibliografia deste livro."

Fonte: PDF disponibilizado pela Editora Aleph


Boa Leitura!


Luciana Onofre

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